Brasileiros ainda sem proteção diplomática na Bolívia

As ruas e praças na Bolívia continuam como campos de batalhas entre os grupos políticos que questionam os resultados das eleições..

As ruas e praças na Bolívia continuam como campos de batalhas entre os grupos políticos que questionam os resultados das eleições presidenciais. As fronteiras estão fechadas desde a terça-feira (5) impedindo que os mais de cinco mil estudante brasileiros deixem o país. A maior parte desses brasileiros são de Rondônia e estudam medica naquele país.

A situação piorou com o fechamento dos acessos aos aeroportos. Em algumas cidades, como em Guayara-Merin, na fronteira com Gujará-Mirim (RO), não só os acessos, mas até a pista do aeroporto foi ocupada por manifestantes.

As informações que chegam é que os brasileiros estão impedidos de saírem às ruas por causa do toque de recolher (condição decretada por um governo ou autoridade, de que pessoas não permaneçam nas ruas após uma determinada hora). Por toda a Bolívia a população está com restrição alimentar por que os comércios estão abrindo apenas em determinados momentos com autorização e segurança oficial.

Os brasileiros

Os estudantes brasileiros temem pela segurança e muitos querem deixar a Bolívia até que haja o fim das manifestações, mas não tem condições por causa dos fechamentos de fronteiras, dos aeroportos e das estradas.

As faculdades medicina, onde os brasileiros estudam, foram fechadas pelos manifestantes. Para não prejudicar os estudos, as instituições de ensino estão enviando conteúdo das disciplinas por emails. No lugar de provas são aplicados trabalhos que também são entregues  por emails pelos estudantes.

Outra preocupação é com as aulas práticas que não estão acontecendo. Se as manifestações continuarem, esse semestre letivo pode ser comprometido.

Familiares no Brasil

Grande parte dos cinco mil estudantes brasileiros que fazem curso de medicina na Bolívia são de Rondônia. Os familiares estão apreensivos com a integridade de seus parentes e esperam intervenção do governo brasileiro para negociar o retorno.

O senador Acir Gurgacz (PDT-RO) foi procurado por pais de alunos que apresentaram a preocupação com o momento na Bolívia. O senador Acir cobrou o Palácio do Itamaraty providências, mas ainda não houve ação diplomática nesse sentido.

A deputada Sílvia Cristina (PDT-RO) e a Assembléia Legislativa de Rondônia também se manifestaram em favor da segurança dos estudantes brasileiros.

O motivo

A confusão começou na noite de domingo, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da Bolívia divulgou que, com 83,76% da apuração concluída, o presidente Evo Morales tinha mais votos (cerca de 45%) que seu principal adversário, Carlos Mesa (38%), mas que, até aquela etapa da apuração, não tinha conquistado seu controverso quarto mandato seguido em primeiro turno.

Pela legislação eleitoral boliviana, o candidato vence em primeiro turno quando obtém vantagem acima de 10% dos votos válidos, o que não ocorreu. O conflito iniciou quando foi dada a vitória a Evo Morales, e os seguidos de Carlos Mesa querem a realização do segundo turno.

Com o início dos conflitos ainda na noite daquele domingo, o grupo de ativistas e vizinhos pede a renúncia de Evo Morales e denuncia a fraude nas eleições gerais. Enquanto os plantadores de coca defendem a administração de Morales e exigem respeito por sua fonte de trabalho, uma vez que os bloqueios prejudicam o aparato produtivo.

Violência

Os conflitos tem sido sangrentos. Os manifestantes moralistas se digladiam com os masistas usando força e violência. Na quarta-feira (6) as manifestações ficaram ainda mais violentas quando aderiam aos protestos, os transportadores, plantadores de coca e camponeses armados com paus, facões, pedras e fogos de artifício.

Os ‘tracos’ (barreiras de fechamento de ruas e estradas) se tornaram lugares de batalhas. Na cidade de Cochabamba  já entre no terceiro dia de conflito sangrento e vem ficando cada vez mais tenso. O ponto mais conflituoso em que foram registrados confrontos entre produtores de coca, ativistas e vizinhos foi na ponte de Muyurina, perto da Avenida Villazón, e na ponte Cala Cala, no rio Rocha, ao norte da cidade.

A Polícia foi criticada por demorar para intervir. Usou gás lacrimogêneo que ajudou a dispersar os manifestantes das pontes Cala Cala e Muyurina. No entanto, em outros pontos, os combates continuaram.

Por toda a Bolívia, os conflitos estão cada vez mais sangrentos e violência aumenta a tensão. Jornalistas estrangeiros estão sendo hostilizados e agredidos. Com o fechamento dos aeroportos não podem deixar o país.

Os jornalistas fizeram ato público pedindo a compreensão dos manifestantes ao trabalho da imprensa nacional e intencional.

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