Deputados recomendam que a Polícia Civil não receba mais os R$ 704 mil da Energisa

Na reunião extraordinária da CPI da Energisa, realizada no final da tarde desta segunda-feira (7), deputados estaduais constataram a assinatura de um termo de cooperação técnica, através do qual a concessionária de energia elétrica pode destinar até R$ 704 mil por ano para a Polícia Civil.

“Os parlamentares fizeram várias perguntas ao diretor geral de Polícia Civil, Samir Fouad, porque em alguns casos policiais civis acompanham funcionários da Energisa para investigar denúncias da existência de “gatos” em residências”?

Samir Fouad explicou que o termo de cooperação técnica existe, mas adiantou que isso não interfere no trabalho desenvolvido pela Polícia Civil.

O deputado Jair Montes (PTC) perguntou como o repasse é feito. Se é em “cascalho” ou de alguma outra forma?

O diretor geral de Polícia Civil disse que não. Ele citou que pode ser em reforma de delegacias, por exemplo.

“A Polícia Civil tem despesas com depósitos, por exemplo. Agora mesmo precisamos tirar os carros de um depósito e levar para outro, e isso resulta em R$ 74 mil. De onde vamos tirar esse dinheiro?”, indagou.

“Da Energisa”, gritou um cidadão que acompanhava os trabalhos da CPI. O delegado Samir Fouad citou a falta de respeito e disse que se fosse para seguir dessa forma se retiraria.

“Se tiver engraçadinho, que levante o rosto”, disse o delegado. O presidente da Comissão, Alex Redano (PRB), pediu ao público que não se manifestasse.

O deputado Ismael Crispin (PSB) pediu para que o termo de cooperação técnico fosse cancelado. “O cidadão comum não pode ir à Polícia e se dispor a limpar uma delegacia, como termo de cooperação”, comparou o parlamentar.

Por fim, os deputados decidiram emitir uma Recomendação Legislativa pela suspensão do termo entre a Polícia Civil e a Energisa.

Samir Fouad deixou claro que a Polícia Civil não se vendeu por conta desse termo de cooperação. “Para mim, tanto faz. Para a Polícia Civil… vamos continuar na dureza”, disse o delegado.

Mas o deputado Jair Montes assegurou que destinará de suas emendas parlamentares R$ 1 milhão por ano para a Polícia Civil.

“Quero apenas que a Polícia Civil acabe com esse termo de cooperação técnica com a Energisa. Vou destinar mais dinheiro que a Energisa. Só quero que a Polícia faça o trabalho isento”, disse Jair Montes.

Samir Fouad também negou que em delegacias de Polícia alguém tenha se recusado a registrar boletim de ocorrência de consumidores contra a Energisa. “Só se o sistema estivesse fora do ar”, ressalvou.

Alex Redano leu algumas perguntas que lhe foram enviadas pelo aplicativo WhatsApp. Uma delas indagava se a Polícia Civil ganhava por produtividade. Samir Fouad considerou a pergunta absurda. “A Polícia não é particular. A Polícia está à serviço da sociedade”, afirmou.

  • Redação/CNR

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