Governo falha na fiscalização e queimadas toma conta de Rondônia

Cidades cinzentas, cheiro de fumaça, fuligem por todos os lados e preocupação com a saúde não têm despertado no governo do Estado a preocupação de combater um dos maiores problemas de saúde pública de Rondônia.

A campanha de combate às queimadas e a melhoria do ar em Rondônia no que diz respeito a fumaça só funciona na propaganda do governo do estado. Na prática, os rondonienses vêm sofrendo com uma das mais intensas queimadas de todos os tempos, que atinge todos os 52 municípios do estado.

A falha na fiscalização é coletiva por parte do governo do Estado. Nem a secretaria de Meio ambiente do Estado, nem a Secretaria de saúde e tampouco a Secretaria de Agricultura sabem o que fazer. Sem um comando de pulso forte, quem paga é a população, especialmente crianças e idosos que lotam os hospitais, pronto socorros, Upas e postos de saúde com doenças respiratórias.

Crianças com problemas de tosse persistentes, asma, bronquite ou alergia desenvolvem um quadro um pouco mais grave nesse período. Associadas a tosse o cansaço e a falta de ar faz com que os pais procurem atendimento.

De acordo com o pediatra Daniel Pires do Hospital Cosme e Damião, os problemas respiratórios constituem a maior demanda de atendimentos realizados no Hospital, nessa época do ano aumenta ainda mais, ”No mês de agosto também já percebemos um aumento no número de casos de problemas respiratórios relacionados ao ar. Estamos em um período de muita fumaça e as crianças e os idosos são os que mais sofrem, o ar mais seco e a fumaça causam efeitos danosos para respirar”.

Segundo o Meteorologista Marcelo Gama, a umidade relativa do ar em Porto Velho está em torno de 23%, com nível de atenção próximo de alerta. Número abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde com variações acima de 60%. Com a baixa umidade do ar o município também registrou quase dois meses sem chuva resultado dos problemas respiratórios e aumento no número de incêndios.

“O ideal é que os pais procurem uma Unidade de Saúde mais próxima, temos as Policlínicas Ana Adelaide e José Adelino com atendimento pediátrico 24 horas. Muitas vezes a mãe vai em um lugar próximo a residência e consegue ser atendida em casos de situações de riscos as crianças são encaminhadas para o Hospital”, disse Daniel.

No período de fumaça e baixa umidade do ar o pediatra destaca os cuidados necessários com as crianças em período de seca. Hidratação constante, alimentação saudável, manter a criança em lugares arejados, evitar roupas quentes, evitar aglomerações, colocar um balde e um pano úmido também ajuda, ”Quanto a fumaça temos que acabar com aquele hábito de queimar o lixo”, pontou.

Dona Maria do Rosário de 63 anos está internada com pneumonia agravada por conta da fumaça e poeira do tempo seco. De acordo com sua filha Ana, desde sábado a maioria dos pacientes da Policlínica Ana Adelaide são idosos com o mesmo problema de pneumonia e falta de ar.

“Como minha mãe já era uma paciente pulmonar com essa pneumonia agravou mais, ela precisa de uma atenção especial, por isso ela está aguardando uma vaga no Hospital João Paulo II. Hoje já é segunda-feira e ainda não conseguimos vaga no JP II, porque lá também tem muita gente na mesma situação”, disse Ana.

  • Diário da Amazônia | Por Larina Rosa

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