A prosperidade das Igrejas e a miséria dos fieis

Edilson Neves*

Com o devido respeito às Igrejas, nos últimos tempos têm sido cada vez mais comum se vê religiões abrirem suas portas, trazendo líderes que clamam discursos fascinantes aos seus seguidores; cobrando “dízimo” altíssimo para que Deus possa operar um milagre proporcionando uma vida melhor para eles.

Meu Deus!

De fato, esse segmento, tem se tornado num grande negócio lucrativo e atraente, despertando a cada dia a ganância insaciável dos “picaretas da fé”. Uma vergonha! São verdadeiros oportunistas; só pensam em dinheiro, poder político e fama – em nome de Deus, tiram tudo do povo com promessas de receberem em dobro.

Como se vê, corruptos e desonestos se aproveitando da boa-fé de pessoas carentes e necessitadas, ou seja, tirando vantagem e induzindo fiéis a adquirirem produtos “falsos”, como óleos e até mesmo água que prometem ser milagrosas. Além de comercializarem Bíblia a R$ 900 com promessas de trazer a sonhada prosperidade.

Em nome da fé

Do ponto de vista legal, percebe-se, que não há um único modelo regimental que discipline as práticas e relações entre religião, política, Igreja e fiéis. É só ligar a TV, que a gente ver a cara de pau deles, mentindo, pedindo dízimos, ofertas e sacrifícios. Só de ver dar compaixão – como as pessoas simples, se deixam iludir por esses caça-níqueis ambulantes – tudo em nome da fé.

A Fome e a prosperidade

Enquanto isso, fiéis só comem arroz quebrado, passam fome e os pastores comem caviar! Em que pese à relatividade, uma análise cuidadosa permite constatar a prosperidade dos pastores e a miséria dos fiéis. Porém, todo homem é livre para professar a crença religiosa que mais lhe agrada e para praticar as cerimônias, devoções ou atos do respectivo culto, desde que não constituam crime ou ofensa punível por lei.

Responsabilidade

[…] do ponto de vista legal, “As Igrejas devem ser responsabilizadas pelas suas irresponsabilidades sociais e deve responder por elas”. Boa parte das Igrejas se tornaram grandes empresas lucrativas: “Hoje, existe até cursos de administração eclesiástica, porque a Igreja tem que ser administrada, mas, lamentavelmente, administrada como um grande negócio”.

Teologia da Prosperidade

Quem não percebe a existência do famigerado conceito teológico que gira em torno da prosperidade financeira? Vale lembrar, porém, que apelidaram de “teologia da prosperidade”. É fácil perceber que o Pastor Edir Macedo, por exemplo, não fez voto de pobreza e que, muito provavelmente, para ele a Fé é um meio e não um fim.
Falsos Profetas

Na verdade, Edir Macedo, Marco Feliciano, Silas Malafaia, Valdemiro Santiago e Pastor Lucinho e outros não se inventaram sozinhos. Eles pertencem a uma linhagem de falsos profetas. Sendo assim, se quiserem culpar alguém, pense naquele que inventou a Teologia da Prosperidade (também conhecida como Evangelho da Prosperidade), senão tratar-se de uma doutrina religiosa cristã que defende que a bênção financeira é o desejo de Deus para os cristãos, e que a Fé, o discurso positivo e as doações para os ministérios cristãos irão sempre aumentar a riqueza material dos fiéis.

Receba em dobro

Ledo engano! O fato, é, se Deus é, realmente, o responsável para devolver em dobro tudo àquilo que os fiéis dão às Igrejas, como explicar a situação de milhões de pessoas pobres passando necessidades, que cegamente dão o que tem e muitas vezes o que não tem, oram, rezam, pedem, imploram, suplicam, gritam por Jesus, praticamente todos os dias, e continuam lá, na mesma situação, ano após anos?

Não é da minha conta

Esses dias, conversando com um fiel de uma determinada Igreja Evangélica, ele me disse que devolvia pra Deus (10%) de tudo àquilo que ele recebia! Eu o perguntei, novamente: O que Deus fazia com tanto dinheiro arrecadado? Já que Ele não tinha onde gastar? Aí, ele me disse que, “se não fosse o dízimo, como a Igreja iria se manter! Mais uma vez, eu o perguntei: Mas, se a Igreja juntar o dízimo de todos os fiéis, ela terá dinheiro suficiente para arcar com as despesas e, inclusive, pagar o salário do pastor, mesmo que ele ganhe uns R$ 10 ou R$ 20 mil, ainda sobraria dinheiro, e o que aconteceria com o restante? Irritado, o irmão disse que isso não era da minha CONTA, pois, eu tinha que pensar era na minha salvação, pois, o dinheiro da Igreja, quem cuida é o pastor.

Vejam se pode um trem desses?

Seja como for, o tema é complexo e controverso, tanto no campo da Ciência Social quanto no das práticas religiosas. Infelizmente, trata-se de um círculo vicioso entre pessoas, dinheiro, Igreja, política e religião. Esse poder financeiro suporta políticos, que por sua vez, trocam favores futuros para com os líderes religiosos. Os mesmos compram canais de televisão, ampliam seus espaços na mídia, aumentam seu rebanho, e, assim por diante.

Escuridão

Eu fico imaginando, todo esse suporte político/financeiro sendo usado para desenvolver a ciência do bem, educação, a conscientização e o bem-estar do povo – não seria formidável? Infelizmente, grande parte da população vive na ignorância e na escuridão.

O que me levou a escrever esse artigo foi o Programa “Vitória em Cristo” na RedeTV e a compra de uma aeronave pelo magnata da fé e vice-presidente da Convenção Geral da Assembleia de Deus, pastor Silas Malafaia. Pois, em suas pregações, Silas disse ter feito um negócio espetacular, ao comprar um dos maiores jatinhos executivos do mercado por um valor irrisório! Uma “bagatela”.

12 milhões

Segundo ele, o avião custou apenas R$ 12 milhões de dólares. Com milhares de fiéis passando dificuldades nos bolsões do Programa Bolsa Família, infelizmente, o pastor preferiu investir na sua comodidade, igualando-se aos outros ícones da prosperidade, como Edir Macedo, RR Soares e muitos outros.

Funil

Nada contra os pastores evangélicos, muito pelo contrário, acho importante o papel das Igrejas, Porém, “o problema é que hoje, em nosso sistema eclesiástico, o que sustenta a Igreja não é o Amor, mas, sim, a performance! No entanto, vale lembrar que, a justiça de Deus ela existe e o funil é estreito e tem muita coisa acontecendo, é só olhar!

Farsa perigosa

Diante do cenário atual, quero apenas externar minha indignação aos fatos apresentados. Entretanto, na minha visão, a ‘Teologia da Prosperidade’ é uma farsa perigosa que tem enganado milhões de pessoas bem-intencionadas; às vezes, desesperadas com os seus problemas dão o que têm e, às vezes, o que não têm às “igrejas” – depois ficam em situação pior, ainda; entendo que essa não seja a vontade de Deus.

Há mais de dois mil anos, Jesus nos alertou: “Cuidado com os falsos profetas! Pelos seus frutos os conhecereis”. (MT 7,15-16).

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– Por Edilson Neves | Jornalista e Editor do  jornal Correio de Notícias de Rondônia

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