Ismael Crispin pede inclusão de povos indígenas nos debates sobre o café na Rondônia Rural Show

Ele entende que os índios empenham esforços no preparo e plantio da terra, no cultivo e na colheita do café

Através de indicação apresentada ao Poder Executivo, durante sessão ordinária na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Ismael Crispin (PSB) pede a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Ambiental (Sedam), através da Coordenadoria dos Povos Indígenas, a inclusão da agricultura indígena nas programações dos ciclos de palestras, rodadas de negócios, seminários e exposições da 8ª edição da Rondônia Rural Show, a ser realizada de 22 a 25 de maio no município de Ji-Paraná.

Crispin destaca que como agricultores, os índios empenham esforços no preparo e plantio da terra, no cultivo e na colheita. Sem adubo especial, sem irrigação, apenas com o cuidado para colher no tempo certo, tratar e estocar os grãos de café clonal produzidos na lavoura, escondida em meio a floresta da Reserva 7 de setembro, os índios Paiter Suruís comemoram o 8º lugar, com 80 pontos registrados no concurso de Qualidade e Sustentabilidade do Café de Rondônia (Concafé). “Essa pontuação foi alcançada já na primeira safra plantada pelo herdeiro da aldeia Lapetanha, Mopib Gorten Suruí, de apenas 24 anos “, relatou.

A aldeia está localizada a aproximadamente 35 quilômetros da cidade de Cacoal. São 15 famílias e todas trabalham com a cultura do café, em uma reserva com extensão de 243 mil hectares.

O parlamentar conta que os povos indígenas recebem apoio da Emater, assim conseguem, firmar a lavoura e produzir o café. “ O segredo deles está na hora da colheita e pós colheita, pois é uma lavoura sem defensivos e o que eles conseguem fazer em micro lotes com qualidade é que faz a diferença”, relatou.

Ismael Crispin ressalta que os especialistas do setor produtivo de café contam que as lavouras de seminais foram plantadas no início dos anos de 1980, quando colonos ultrapassaram os limites das reservas indígenas e se instalaram nas áreas sem autorização. Foi desta forma que o povo Suruí decidiu se espalhar pela reserva, formando várias aldeias, forçando a retirada dos colonos e impedindo novas investiduras por parte dos brancos.

Segundo ainda Ismael Crispin, há três anos, com apoio da Emater e recursos direcionados para a tribo através de Organizações Não Governamentais (ONGs), as mudas de café clonal conilon passaram a ser introduzidas nas lavouras indígenas.

A substituição dos seminais pelo café clonal fez toda diferença também a produtividade. Depois de um ano, após a safra ser colhida de março a julho, o plantio já estará novamente produzindo inserido na floresta com a proteção e o equilíbrio natural. O café seminal renderia apenas de 10 a 14 sacas, enquanto o café clonal conilon rende em média 25 sacas por hectare. “Se a lavoura fosse tecnificada, seriam produzidas de 80 a 100 sacas no mesmo espaço. A vantagem para os indígenas dessa área é que além de solo fértil, há muitos viveiros de fácil acesso para o investimento no plantio “, esclareceu Crispin.

Uma das principais avaliações do Concafé para a pontuação dos cafés apresentados, foi a sustentabilidade. Outra aldeia classificada em 2º lugar, com 81 pontos, foi a comunidade indígena Rio Branco, a cerca de 80 quilômetros de Alta Floresta, em uma área de 236 hectares, onde vivem aproximadamente 1.150 famílias. “ Isso é um marco na história da cafeicultura, é a primeira etnia a conquistar o título de 2º melhor café da região amazônica. O que representa desenvolvimento, respeito e potencial de Rondônia”, concluiu o parlamentar.

Autor: Eláine Maia

Foto: José Hilde-Decom-ALE-RO

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