Arte como resposta à vida

Em certo momento do filme “Hearts beat Loud”, o pai viúvo diz à filha que a vida propõe problemas para os quais a arte é um respiro. Vista nessa perspectiva, a obra de Brett Haley merece ser assistida com carinho. O que ali temos são percursos existenciais em busca de oxigênio.

O pai, ex-músico, está fechando sua loja de vinis, enquanto vê a filha se mudando de cidade para estudar medicina, mas algo os une: a música. Gravam e publicam uma composição que, muito ouvida no Spotfy, parece apontar para uma carreira de sucesso. Mas tudo isso não seria apenas uma ilusão perante uma vida difícil?

A falência do pai, que ainda tem que cuidar da própria mãe com demência senil, e pensar como arcar com a faculdade da filha não deixa muito espaço para a fantasia. Mas o sonho, de uma forma ou de outra, permanece, alimentando de grandeza a pequenez da vida cotidiana. Assim, no dia de fechamento da loja, pai e filha fazem um primeiro e único show que comove e vale o filme.

Mas a existência bate à porta, como apontam as grandes atuações de personagens secundários, como o bartender filósofo e ex-astro de rock ou a proprietária do espaço em que a loja do protagonista funcionava. Há ali uma mistura de sonho e realidade. Tudo oscila entre o pão-pão-queijo-queijo e uma possível libertação… Será ela possível?

– Por Oscar D’Ambrosio*

*Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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