“Eu sempre fui uma espécie de Lady Gaga masculino”, se define Falcão

Ícone do brega brasileiro é o entrevistado do Impressões

Está faltando bom humor no Brasil e no mundo, este é o diagnóstico do cantor e compositor Falcão em entrevista ao programa Impressões. “Hoje em dia todo mundo tá muito exasperado, principalmente nas redes sociais. Ninguém pode mais dizer nada para ninguém, isso é uma grande besteira. A gente tem que tirar essa onda com a gente”, opina o músico.

Falcão entende que o cinema, a música e as artes em geral podem ajudar a “mostrar pro pessoal que nós somos todos uma raça só. Não é possível que fique o tempo todo um se defendendo do outro. É preciso sorrir mais,” defende o ícone do brega ostentação no país.

Marcondes Falcão Maia, de 61 anos, além de músico, é apresentador de televisão, ator e tem viajado o país para divulgar o filme “Cine Hollyúdi 2: a chibata sideral”, no qual faz o papel de um cego. Na semana de estreia, o longa do diretor cearense Halder Gomes foi visto por mais de 5 mil pessoas nas salas do estado, batendo a bilheteria de Capitã Marvel. A comédia é a última de uma trilogia sobre o cinema popular no Nordeste. Foi toda legendada. “O cearês acho que vai até virar a língua oficial do Vaticano”, brinca Falcão, orgulhoso da fala regional. No primeiro filme, lançado em 2012, foi feita uma sessão com pessoas de vários estados para ver quem entendia os diálogos sem a legenda. “Os gaúchos não entenderam nada”, conta o músico.

“Eu sempre fui uma espécie de Lady Gaga masculino”, se autodefine Falcão, ícone do brega brasileiro

“Eu sempre fui uma espécie de Lady Gaga masculino”, se autodefine Falcão, ícone do brega brasileiro – Divulgação/TV Brasil

Quando lançou o primeiro disco, há 30 anos, Falcão também tinha essa preocupação. “Minhas músicas estão cheias desse linguajar, como é que o cabra vai entender?” Ele ganhou projeção nacional com “I’m not dog no”, uma versão da música de Waldick Soriano, de quem se revela um grande fã. Falcão tem mais de dez discos lançados, incluindo produção independente e coletâneas.

“Tem música minha que eu falo que se fosse pra lançar hoje não seria lançada”, diz o artista, referindo-se ao discurso politicamente correto. Alguns de seus sucessos antigos foram criticados recentemente na internet. “Eu gosto muito de fazer uma crítica social, mas no sentido didático, de ensinar ao povo certas coisas, mas tem gente que não entende”.

Falcão relembra, bem-humorado, que sofreu bullying na adolescência por conta da altura. “Eu era uma aberração da natureza. Chegava numa sala de aula no Ceará, todo mundo numa média de 1.6m, e vem um cara de 1.93m, era uma confusão!” Graças à timidez, desenvolveu o hábito da leitura: “Desde bula de remédio, leio tudo que cai na minha mão”.

O brega, para Falcão, faz parte da identidade de uma grande parcela do povo brasileiro. “A nossa história de ter herdado a coisa do português, do latino-americano, do índio, isso tudo virou um país bregoriano”, filosofa com a jornalista Roseann Kennedy. Para ele, o que a mídia chama de arrocha e sofrência, não passam de outros nomes para o brega. “Enquanto tiver um cara apaixonado, uma pessoa traída, um sujeito solitário bebendo num bar, um litro de cachaça, o brega estrará presente”, aposta Falcão.

Ele diz que se vê como uma espécie de “Lady Gaga masculino”, em razão do figurino. Sobre a carreira, confessa nunca ter imaginado que tanta gente fosse gostar da “fuleragem” que faz. “Então vamos ver até onde vai. Enquanto tiver gente besta pra consumir, a gente tá fazendo”, finaliza.

– TV Brasil

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