A dependência química

A dependência química já foi tratada diversas vezes no cinema, mas, em poucas ocasiões, de maneira tão realista como em “O retorno de Ben”. O filme conta com as interpretações contundentes de Julia Roberts e Lucas Hedges, respectivamente no papel de uma mãe dedicada e de seu filho viciado.

Dirigida por Peter Hedges, pai do ator Lucas, a obra se passa durante aproximadamente 24h. O jovem Ben retorna inesperadamente de uma clínica de reabilitação na véspera do Natal, criando sentimentos ambíguos. A mãe fica feliz, mas sabe, no íntimo, que aquela chegada inesperada pode trazer problemas.

O segundo marido dela, que até hipotecou a casa para pagar o tratamento do enteado, é o mais radical em prever a tragédia, que, de fato, irá se consumar de um jeito ou de outro, como deixa em aberto o final ambíguo. O relato é de uma longa jornada noite adentro em que Ben tenta inutilmente se livrar dos fantasmas do passado e do presente.

A maior qualidade do filme está justamente em evitar cair no romântico ou no heroico. O jovem tem uma trajetória complexa, começando a se viciar em medicamentos após uma lesão praticando skate, e entrou num poço do qual há duas alternativas: a morte ou uma redenção pelo amor a si mesmo e à família. A atmosfera densa da obra pontua bem esses dois caminhos não excludentes, mas complementares.

– Oscar D’Ambrosio*

*Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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