A triste realidade da Amazônia ainda não contada em áreas proibidas pelo poder público 

Porto Velho, RO – São muitos os argumentos econômicos e sentimentais que o governo brasileiro e os países ricos usam para que a Amazônia mantenha o maior bioma do mundo conservado e preservado. Mas, são poucos os esforços feitos para que as florestas sejam mantidas em pé ao lado de seus povos tradicionais sem uma sobrevida forçada.

Essa decisão, de acordo com lideranças e autoridades ouvidas sob um anonimato questionável, “parte do governo nacional, parte das ameaças de extinção de áreas antes consideradas intocáveis, pontos vitais para se manter o equilíbrio dos ecossistemas na região e no mundo”.

Diante da recusa de pessoal técnico instado em secretárias do Meio Ambiente e em órgãos de controle ambiental para falarem sobre do que ainda resta do estoque de terras e áreas demarcadas para preservação e conservação ambiental os governos de Rondônia e do Pará, especificamente, “são acusados por permitirem o maior número de áreas já devastadas”.

Imagem Ilustrativa

Recentemente, mesmo em áreas de controle mapeadas pelo IBAMA, Instituto Chico Mendes (ICM-Bio) e monitoradas por institutos de defesa ambiental – todos mantidos por recursos externos – o governo brasileiro surpreendeu o mundo com a decisão recente de extinguir a Reserva Nacional de Cobre e Associados (RENCA), abrindo uma área de exploração mineral na Amazônia Oriental maior do que o território da Dinamarca ou duas ou três maior que o estado de Alagoas.

Imagem Ilustrativa

A devastação desenfreada – e sem controle – sobre o avanço do “agronegotóxico” (para pastos com bois piratas, uso de agrotóxico e extração ilegal de mineral e madeira) na Amazônia Ocidental Brasileira atinge o bioma de Rondônia e Pará pela falta de contenção, igualmente, das invasões por grileiros vindos do Sul, do Sudeste e até por imigrantes latinos ao Nortão do Amazonas e mesorregião dos estados do Acre, Roraima e Amapá.

Áreas de Proteção Ambiental (APP), de Unidades de Conservação e destinadas à implantação de projetos de assentamento sob o controle do INCRA e Institutos de Terras e Colonização nos Estados amazônicos são ainda motivos da grande cobiça nacional, tendo à frente fazendeiros, madeireiros e insaciáveis imobiliárias em meio à cobiça invejável do agronegócio bovino e da soja.

A Amazônia com um estoque de terras de 5.500 quilômetros quadrados de extensão, segundo especialistas rondonienses – que tiveram a identidade de revelada dentro da SEDAM por uma questão de hierarquia – ostentaria menos 10% de seu território devastado com o suposto aval de autoridades nativas. Segundo esses interlocutores, “só no lado da Amazônia rondoniense, ao menos 67% da cobertura natural da vegetação já foram consumidos pelo fogo e deram lugar à pecuária” cujas reservas praticamente ao existem mais. É o caso dos biomas de Machadinho do Oeste, Vale do Anari e Cujubim, motivo de apreensões de maquinários, fechamento de serrarias e extração ilegal de essências naturais.

Ainda em Rondônia e sua Capital Porto Velho, a devastação com a supressão vegetal de áreas mantidas em acordos internacionais para conservação e preservação ambiental, em face da repressão sob a chancela de forças federais no Vale do Guaporé, os municípios de Lábrea, Canutama, Humaitá, Apuy e Manicoré, no Sul do Amazonas, abrigaram madeireiros fugitivos a se reinstalarem na fronteira vizinha, nos distritos da Ponta do Abunã.

Imagem Ilustrativa

De lá, de acordo com dados e números fornecidos, extra-oficialmente, por agentes ambientais de nível estadual, “as extrações ilegais nas florestas amazonenses avançam rumo ao que ainda resta de cobertura vegetal naquela parte da divisa com Porto Velho.

– São madeiras de lei, inclusas no rol das espécies consideradas em extinção do tipo Mogno, Ipê (branco, roxo e amarelo), Castanheira, Cedro, Massaranduba, Copaibeira, Angelim e outras com grande aceitação do mercado clandestino dopais e do mercado internacional, revelam as mesmas fontes.

Área desmatada da Floresta Amazônica às margens da rodovia Transamazônica. Imagem Ilustrativa

Especificamente na Amazônia Ocidental Brasileira o tratamento dado à questão ambiental sempre foi considerada “uma ação pífia e sem avanços desde os governos militares”, diz a acadêmica Francisca da Silva eSouza, 56anos. Segundo ela, “o governo federal brasileiro pegou dinheiro internacional para uso de conservação e preservação de unidades ambientais”. Alemanha, Japão, Países Baixos (encabeça a lista de mantenedores de florestas em pé a Holanda) e até os Estados Unidos tem levado governadores a pedir dinheiro à causa.

Com se vê, o Brasil mesmo sempre valeu do Capital internacional para tudo ou quase tudo quando se fala em conservação e preservação das florestas do bioma da Mata Atlântica aos parques, reservas e unidades florestais na Amazônia. “Dinheiro brasileiro, nem mesmo para garantir o combater o avanço do narcotráfico nas nossas fronteiras, quase nenhum”, completou.

Narcotráfico e desmatamento ilegal na Amazônia são dois binômios que ao que parece, com a ausência do Estado nas áreas de atuação de ilegais, “caminharão sempre juntos”, assinala outro analista ambiental do Governo rondoniense. O primeiro, sempre esteve representado em ações de acobertamento uma vez atuariam no mesmo teatro operacional – a florestas ermas e continentais da Amazônia Brasileira.

Com portas escancaradas desde o século passado, as fronteiriças amazônicas sempre abriram caminho para os ilegais que atuam em campos diversos da informalidade. “Madeireiros abrem clareiras em grotões íngremes, estradas, carreadores e corredores são construídos trás de vilarejos e até em assentamentos do INCRA, no que dão origem a pistas de pouso. Mais tarde, abandonados, consolidam um novo “front” aos ilegais de plantão.

– Da Redação/CNR / Por Xico Nery

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *