RESENHA POLÍTICA

No ímpeto de oferecer um serviço mais acessível e de melhor qualidade ao usuário, o então prefeito Mauro Nazif cancelou o contrato com as antigas empresas

Robson Oliveira

COLAPSO – A situação dos transportes coletivos de Porto Velho é mais complicada do que parece e o colapso no sistema é iminente. Desde a administração municipal do neossocialista Mauro Nazif o setor entrou de vez em parafuso. No ímpeto de oferecer um serviço mais acessível e de melhor qualidade ao usuário, o então prefeito Mauro Nazif cancelou o contrato com as antigas empresas – prestavam mesmo um péssimo serviço -, ajudou a formar o consócio SIM, concedeu gratuidade para vários segmentos da população e o resultado das irresponsabilidades é um atendimento com os mesmos antigos problemas e, por consequência, com os prejuízos financeiros contabilizados pelo consórcio decorrente das gratuidades instituídas por leis e decretos sem apontar a fonte que financiaria esse 0800.

PREJUÍZOS – Um diagnóstico sério feito por uma empresa curitibana com expertise na área revelou uma situação dos transportes coletivos da capital pré-falimentar. O estudo foi apresentado ao prefeito, vereadores e autoridades responsáveis por órgãos de controle que concluiu pela necessidade de reestruturação da área com adoção imediata de ações no âmbito municipal para evitar a insolvência, entre elas, a diminuição de impostos, fim da gratuidade sem uma fonte financiadora, reformulação das rotas, ICMS sobre os combustíveis e, igualmente importante, o lançamento do edital para o novo certame licitatório.

GRATUIDADE – Para quem não tinha conhecimento dos problemas internos no setor municipal de transportes, e das ações de gestores irresponsáveis, todas as críticas da população da Capital recaíam sobre o Consórcio SIM. Um ledo engano, inclusive desta coluna que tanto criticou. A empresa é vítima das decisões políticas erradas adotadas por gestores passados e de políticos que concederam gratuidade com o caixa alheio, ou seja, cada beneficiário dessa gratuidade a conta por sua viagem recaía sobre o caixa do Consórcio que, por sua vez, tem os próprios custos para funcionar e não era ressarcido.

TARIFAS – Embora a municipalidade tenha corrigido ontem o erro passado, com a correção das tarifas, o problema está longe da solução, visto que a empresa acumulou um déficit enorme e este passivo zerou o caixa, refletindo na quitação dos fornecedores e salários. A correção feita pela prefeitura nas tarifas, as adoções das medidas acordadas em juízo, ainda em dezembro,  minimizarão os problemas futuros, mas os do momento não, já que decorrem do passivo gerado pelas gratuidades utilizadas anteriormente e que provocaram toda a atual crise. Portanto, as medidas acertadamente adotadas pela municipalidade não resolvem todo o problema já que o passivo pretérito estourou no colo do atual prefeito e requerem um conjunto de soluções imediatas da prefeitura, além do realinhamento tarifário.

DEVOLVER – Os proprietários do consórcio, cansados pela falta de segurança jurídica, optaram por ingressar em juízo para pararem definitivamente de prestar os serviços de exploração de linhas, e sugerem que sejam encampados pela prefeitura até que haja uma nova licitação. Outra saída é aporte financeiro municipal, o que o prefeito descartou de plano. A situação é tão crítica e, com os prejuízos já contabilizados, o SIM concluiu que é melhor devolver todas as linhas. Um problema de difícil de solução.

DIÁLOGO – O senador diplomado Marcos Rogério (DEM), importante membro da bancada federal de Rondônia, em entrevista para um site, deixou uma dica que ainda não foi bem assimilada pelos noviços arregimentados no setor privado e na caserna para auxiliar o coronel-governador. De acordo com o senador diplomado, Marcos Rocha ainda não procurou todos os membros da bancada federal a fim de explicar quais os projetos prioritários do estado precisam de apoio para conseguir recursos em Brasília. Como o coronel adotou a prática de dialogar pelas mídias sociais, a exemplo do guru, é possível que exija aos nobres parlamentares da bancada federal uma relação através dessas ferramentas. Ou, quem sabe, por sinais de libras.

SOLUÇÃO – Durante toda a campanha o coronel falava um bordão que chegou a virar chacota na campanha eleitoral: “Sou o governador de Bolsonaro. Já conversamos sobre os problemas de Rondônia e ele prometeu ajudar a resolvê-los”. Confiante com o bordão, é possível que o coronel esteja confiante no capitão para que ajude nas soluções dos problemas rondonienses sem a interveniência da bancada federal. Sendo assim, está correto o governador. Resta saber se nas conversas que entabulou com Bolsonaro o presidente teria se disposto pra valer a resolver todos os gargalos de Rondônia. Diálogo, pelas circunstâncias, que a coluna tem dificuldade de acreditar!

PREVISÍVEL – Era previsível que o primeiro enfrentamento entre o atual governador seria exatamente com a categoria dos agentes penitenciários, área onde o coronel exerceu o cargo de Secretário de Estado. Na campanha o coronel sempre era criticado pelos adversários pelo relacionamento autoritário que dispensou aos agentes penitenciários. Em greve, a relação entre o coronel-governador e a categoria azedou de vez. Algo previsível desde a campanha eleitoral. O próximo choque será com os professores e médicos, quem viver verá!

LEGISLATIVO – Depois de uma semana com ataques mútuos em surdina, ao que parece, o clima beligerante que açulou os corredores da Assembleia Legislativa e assustou os elevadores do Palácio Madeira voltou à normalidade. É provável que os deputados estaduais cheguem a um consenso e seja registrada apenas uma chapa para a presidência do Poder Legislativo Estadual. Embora,  em se tratando desse poder, tudo pode acontecer, inclusive surpresas!

CONSENSO – Pelo que a coluna conseguiu apurar até hoje, os deputados estaduais Alex Redano e Laerte Gomes, que pleiteiam a presidência da Assembleia Legislativa, estão entrando em consenso para que ambos sejam eleitos imediatamente para cada um dos dois próximos biênios. Os dois parlamentares são experimentados e capazes de dar o equilíbrio político que o estado necessita em tempos beligerantes.

– Por Robson Oliveira

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