Lirismo das sementes

O artista visual chinês Ai Weiwei é um mágico das imagens. Sua exposição na Oca, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, SP, até 20 de janeiro, é um elixir para o intelecto, um espetáculo contra o autoritarismo e a opressão e, por consequência, um libelo à liberdade de pensamento.

A instalação ‘Sementes de girassol’, por exemplo, reúne aproximadamente 37 milhões de esculturas de porcelana no tamanho natural que elas existem na natureza. Não são reais! Foram feitas manualmente por mais de 1500 artesãs. Todas são diferentes entre si e ocupam 357 metros quadrados.

Por um lado, criticam o regime de Mao Tse-Tung, pois, nos cartazes de propaganda comunista, ele era colocado como o sol para o qual todos girassóis olhavam. Também lembra que as sementes são uma forma de alimentação comum no país do artista, mas acima de tudo indicam, como na era da massificação global, cada indivíduo é distinto.

Pensar que cada objeto foi feito por uma pessoa e que não há dois iguais gera reflexão. Podemos ser parecidos como gênero humano, mas temos elementos absolutamente individuais em nosso DNA. E essa preservação do que nos diferencia é fundamental para que nos entendamos como pessoas, não como máquinas.

Fonte: Oscar D’Ambrosio

*Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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