A perda da inocência

Poucos filmes de curta duração estão causando tanto impacto desde o ano passado como ‘Fauve’, de Jeremy Comte. Trata-se de um curta-metragem de 16 minutos com uma força visual e narrativa que o tem levando a concorrer e ganhar diversos prêmios, como o Sundance 2018, inclusive entrando na corrida para o Oscar 2019.

A película canadense mostra dois garotos que brincam junto a um trem abandonado e em uma mina a céu aberto. Divertem-se enganando um ao outro em ações corriqueiras, como a presença de uma ameaçadora raposa, símbolo da ambiguidade da existência em muitas culturas, ou fingindo que se machucam após uma “guerra” de pedras.

As fronteiras entre o que é verdade e mentira são derrubadas a cada instante. E a dramaticidade aumenta quando eles se aproximam de uma área de cimento fresco, que tem o poder de “engolir” pessoas como areia movediça. O lúdico se transforma em trágico, com as fronteiras entre viver e morrer muito tênues.

A transformação do tom é feita com maestria e com uma dramaticidade que mostra como pode ser traumático o ingresso na vida adulta. As brincadeiras ingênuas, não desprovidas de certa violência, anunciam assim dor, perda e o choque inevitável que daí recorre. Inesquecível. Assista em: https://vimeo.com/293033666

– Por Oscar D’Ambrosio* 

*Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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