Atentados contra bazar e consulado chinês deixam 32 mortos no Paquistão

O Paquistão viveu nesta sexta-feira um dia sangrento com um atentado suicida com bomba em um bazar do noroeste do país, que deixou 25 mortos, e um ataque de grande simbolismo, com sete mortos, no consulado da China, o principal aliado do país asiático, em Karachi.

Por volta das 9h30 local (2h30, em Brasília), três homens armados começaram a atirar e a jogar granadas ao tentar entrar no consulado chinês em Karachi, algo que não conseguiram, informou à Agência Efe o porta-voz da Polícia da cidade, Mohammed Ishfaq.

A situação provocou um confronto entre as forças de segurança e os agressores, que se prolongou durante mais de meia hora, até que os terroristas foram mortos.

Ishfaq afirmou que os três agressores, um deles com um colete cheio de explosivos, e dois agentes da Polícia morreram no ataque, e um guarda de segurança ficou ferido.

Seemi Khamali, porta-voz do Hospital Jinnah, para onde os mortos foram levados, disse à Agência Efe que além dos corpos de dois policiais, também foram recebidos os corpos de dois civis, um pai e seu filho que tinham ido ao consulado para solicitar um visto.

Pouco depois, o ministro de Relações Exteriores paquistanês, Shah Mehmood Qureshi, afirmou que os agressores queriam sequestrar cidadãos chineses.

“Havia cerca de 21 chineses no consulado e todos foram levados a um lugar seguro”, afirmou o ministro diante da Assembleia Nacional (Câmara Baixa).

O Exército de Libertação Baluchi, que busca a independência da província sudoeste de Baluchistão, reivindicou o ataque contra o consulado.

“O objetivo do ataque é claro: não toleraremos a expansão militar chinesa em solo baluchi”, afirmou o grupo em comunicado.

A China possui grande presença em território paquistanês devido ao projeto Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC), um projeto multimilionário de infraestruturas financiado por Pequim com um investimento de US$ 60 bilhões.

O CPEC, iniciado em 2015, financia a construção de uma rota comercial que ligará a cidade de Kasghar, na província noroeste chinesa de Xinjiang, com o porto paquistanês de Gwadar (sudoeste) no Baluchistão, dando à China uma saída para o Mar Arábico.

O primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, afirmou na sua conta do Twitter que o ataque “fracassado” é uma reação aos acordos “sem precedentes” fechados em uma recente viagem à China.

“O ataque tinha a intenção de assustar os investidores chineses e debilitar o CPEC”, afirmou o líder, que ordenou uma investigação sobre o ocorrido.

O Governo chinês reagiu rapidamente com uma condenação ao ataque e pediu ao Paquistão que “tome medidas para garantir a segurança dos cidadãos chineses que trabalham no país”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China Geng Shuang em entrevista coletiva.

Este não é o primeiro ataque contra chineses em território paquistanês.

Em fevereiro, um executivo chinês de uma companhia de transporte marítimo foi assassinado a tiros nas ruas de Karachi e em junho de 2017, o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) anunciou que tinha assassinado dois cidadãos chineses na região de Baluchistão.

Meia hora depois do ataque em Karachi, um terrorista explodiu as bombas que levava em uma motocicleta em um bazar do noroeste do país, o que provocou a morte de 25 pessoas e feriu outras 34, disse à Agência Efe o porta-voz da administração da região, Saleem Khan.

A fonte explicou que o bazar, situado na zona tribal de Orakzai, estava cheio de pessoas quando aconteceu a explosão.

Nenhum grupo reivindicou esse atentado.

O Paquistão iniciou uma operação militar nas zonas tribais do noroeste do país em 2014, na qual morreram 3,5 mil supostos terroristas, segundo dados do Exército, à qual se somaram em 2017 novas operações antiterroristas em outras partes de seu território.

As operações militares ajudaram a reduzir o terrorismo no Paquistão de forma substancial, mas apesar disso os atentados continuam acontecendo.

“A guerra contra o terrorismo não acabou”, afirmou hoje o chefe do poderoso Exército paquistanês, Qamar Javed Bajwa, durante uma visita a uma guarnição no leste do país.

– Jaime León/Agência EFE

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