Modelo ZFM em debate na UEA

Durante a programação da V Semana de Economia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), realizada entre os dias 5 e 9 de novembro e que debate o tema “Guerra fiscal: os impactos econômicos na Amazônia”, o economista e superintendente adjunto Executivo da Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), Gustavo Igrejas, fez uma apresentação nesta quarta-feira (7) sobre a “Zona Franca de Manaus: conhecendo o passado e o presente, olhando para o futuro”. Realizada no auditório da Escola Superior de Ciências Sociais (ESO/UEA), no Centro de Manaus, a palestra contou com a participação de estudantes e professores do curso de Economia da Universidade.

Para situar os presentes, Igrejas apresentou um quadro histórico do modelo de desenvolvimento regional que contempla os Estados do Amazonas, Acre, Roraima, Rondônia e os municípios de Macapá e Santana, no Amapá, demonstrando de que forma setores como o industrial e o comercial, por exemplo, foram necessariamente se adaptando às mudanças ocorridas ao longos dos mais de 50 anos de existência da Zona Franca de Manaus (ZFM). Alterações como a abertura comercial, posta em prática no início da década de 1990 no País, transformou a realidade no comércio local e modificou a atuação da indústria incentivada do Polo Industrial de Manaus (PIM).

O superintendente demonstrou, a partir de dados informados pelas empresas incentivadas da região, que o faturamento do PIM historicamente mostra a resiliência do modelo ZFM e a pujança da indústria local, o que denota a força do Polo Industrial de Manaus. “Em 2011, se o PIM fosse um país, estaria entre as 85 maiores economias do planeta. À frente de países como o Paraguai, Costa do Marfim, Bolívia e Chipre, por exemplo, dentre outros 90 países com Produto Interno Bruto (PIB) inferior”, constatou.

Ainda assim, Igrejas alertou que as indústrias do PIM concentram praticamente metade de toda a sua produção em quatro produtos apenas: Televisores, Motocicletas, Aparelhos Celulares e Condicionadores de Ar do tipo Split. “É preciso olhar para o futuro e vislumbrar o que será a tendência do mercado para daqui a 15 anos, e buscar estar à frente para que novos produtos e tecnologias sejam desenvolvidos aqui, na Zona Franca de Manaus, no Brasil”, ponderou Igrejas.

Para comprovar a importância do desenvolvimento de produtos, o superintendente citou os casos do Japão do pós 2ª Guerra Mundial e da Coreia da década de 1970, cujos investimentos de médio e longo prazo resultaram no fortalecimento das indústrias destes países, transformando-os em líderes de mercado em diversos segmentos industriais até os dias atuais.

Para agregar, Gustavo Igrejas destacou a necessidade de investimentos em infraestrutura logística e na diversificação da matriz econômica, que traria ganhos à região com reflexos positivos para todo o País. Da mesma forma, seria importante para o incremento da eficiência aduaneira e o aumento da competitividade nacional frente a outros países, o que poderia alavancar o ambiente de negócios interno, tornando a Zona Franca de Manaus e o Brasil um dos polos produtores mais atrativos no cenário internacional.

Semana de Economia

O evento promovido pela UEA também contou, na cerimônia de abertura, com a participação do superintendente da SUFRAMA, Appio Tolentino, que debateu sobre o tema principal: Guerra Fiscal. Na terça-feira (6), a servidora e economista da autarquia, Fernanda Nacif, fez uma apresentação sobre desenvolvimento econômico regional.

– Texto: Márcio Gallo

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