Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, afirmaram nesta quarta-feira que a Coreia do Norte precisa receber garantias de segurança em troca de seu processo de desnuclearização, e, juntos com o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, pediram a Pyongyang para que aproveite as negociações com Estados Unidos e a retomada das relações com a Coreia do Sul.

“Agora temos uma oportunidade e temos que acreditar. Sem essa confiança, seria impossível fazer avanços”, disse Xi em discurso no plenário da 4ª edição do Fórum Econômico Oriental, realizada na cidade de Vladivostok, na Rússia.

Xi, Putin e Abe se mostraram satisfeitos com a histórica reunião do dia 12 de junho, em Singapura, entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, que nela decidiram trabalhar pelo fim do programa nuclear de Pyongyang.

Abe e Putin foram além e elogiaram Trump por ter assumido o “risco” de se reunir com Kim, porque, “durante muito tempo, nenhum governo americano sequer contemplou” essa possibilidade, segundo o governante japonês.

Para Abe, Trump usou um “enfoque inovador” ao criar confiança mútua em negociações diretas com Kim e exigir da Coreia do Norte passos para a desnuclearização em troca de um “futuro brilhante”. Putin, por sua vez, disse que Trump “mostrou coragem política e audácia”.

O primeiro-ministro sul-coreano, Lee Nak-yeon, também convidado para o Fórum Econômico Oriental, disse esperar que as conversas entre EUA e Coreia do Norte sejam retomadas e que a próxima cúpula entre as Coreias ajude a gerar “progressos”.

A Casa Branca afirmou na última segunda-feira que Kim solicitou, em uma nova carta, um segundo encontro com o presidente dos Estados Unidos. Enquanto isso, o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, prepara a cúpula que será realizada com Kim em Pyongyang nos dias 19 e 20 deste mês -será a terceira reunião entre ambos.

Xi Jinping alertou que as negociações com a Coreia do Norte representam um longo caminho que requer “paciência” de todas as partes.

“Não dá para resolver tudo em uma só rodada de conversas”, afirmou o presidente da China, que agora disse ver “todas as partes mais racionais e tendências positivas no diálogo”.

O governante chinês defende uma estratégia que inclua garantias de paz para a Coreia do Norte oferecidas tanto por Pequim como por Moscou.

“China e Rússia têm um roteiro: promover a desnuclearização, mas ao mesmo tempo oferecer garantias para preservar a paz na península coreana. Uma só nação não pode oferecer tais garantias, precisamos do esforço da comunidade internacional”, ressaltou Xi.

Ao ser perguntado se está disposto a proporcionar um “guarda-chuva nuclear” ou proteção nuclear à Coreia do Norte como exigência de Kim Jong-un para evitar qualquer risco de ataque, Putin respondeu de forma evasiva.

“A China tem um guarda-chuva nuclear e se sente muito segura com isso”, declarou, sugerindo que esse papel corresponde ao governo chinês.

Segundo Putin, “a Coreia do Norte, em troca de seus esforços de desnuclearização, recebeu promessas de garantias de segurança” e, após ter destruído suas instalações de testes e dado “passos específicos” para abandonar o programa nuclear, “aparentemente espera pelo menos alguns sinais” de reciprocidade.

“Acho contraproducente exigir que a Coreia do Norte faça tudo, sem que a outra parte não faça nada em troca”, afirmou o presidente russo, que admitiu que convidou Kim à Rússia.

O primeiro-ministro japonês mostrou-se aberto a realizar uma reunião pessoal com o líder norte-coreano, embora espere que uma hipotética cúpula ajude a resolver o problema dos cidadãos japoneses sequestrados há décadas pelo regime norte-coreano.

“Também tenho que quebrar essa casca da desconfiança mútua e me reunir com Kim Jong-un”, reconheceu Abe.

Fonte: Agência EFE