Com incentivo do governo, Brasil tem condições de aumentar a produção de trigo

O setor produtivo espera do governo federal mais incentivo para plantar trigo.

“Aproveitamos a presença do ministro Blairo Maggi ao Show Rural e entregamos ontem, dia 8, um documento a ele contendo uma série de medidas que, se adotadas, podem incentivar o plantio do cereal, diminuindo a dependência externa e oferecendo ao produtor mais uma opção de cultura de inverno, além do milho”, afirma o superintendente da Federação das Cooperativas do Paraná (Fecoopar), Nelson Costa. Fizeram a entrega, além do Sistema Ocepar, o secretário de Estado da Agricultura, Norberto Ortigara, e diretores da Ocepar, entre os quais, Dilvo Grolli (Coopavel), Ricardo Chapla (Copagril) e Alfredo Lang (C.Vale).

Pouca motivação para plantar

Não bastasse a necessidade de importar trigo, já que o consumo é maior que o volume produzido internamente, o Brasil vem registrando queda na área plantada com o cereal. Isto vem ocorrendo desde 2015 e, segundo levantamento da Conab, na safra 2017 a redução chegou a 1,9 milhão de hectares, 9,5% menor que a safra anterior e que corresponde a 201 mil hectares a menos de trigo no campo. Um dos principais fatores que desestimula o plantio e, consequente, reduz a área plantada são os preços recebidos pelos produtores, cujos valores não cobrem os custos de produção. Outros fatores como a elevação nos custos de produção, riscos de adversidades climáticas, dificuldades logísticas e de infraestrutura e concorrência com o produto importado, também, influenciam negativamente o produtor na tomada de decisão de plantar trigo.

Potencial para autossuficiência – Na avaliação de Nelson Costa, o incentivo ao cultivo do cereal nacional é de grande importância, “pois além da cultura ser uma opção para rotação de culturas no inverno, é também um multiplicador de renda nos demais elos do complexo agroindustrial, podendo ter reflexos, inclusive, na balança comercial brasileira”. “A Embrapa tem demonstrado, por meio de pesquisas, que o Brasil tem potencial e o conhecimento técnico para se tornar autossuficiente na produção do cereal, fator que precisa ser olhado com mais atenção pela autoridade pública, considerando que trata-se de um produto estratégico sob o ponto de vista econômico e de segurança alimentar”, diz.

Propostas

O documento entregue ao ministro foi elaborado pela Ocepar e a Seab. “Importante destacar que as propostas sugeridas são viáveis e importantes para que o produtor sinta-se motivado a investir no plantio do trigo na safra de inverno, cultura notadamente sensível ao frio” comenta o superintendente. O estudo feito pela Ocepar e Seab aponta a necessidade de aumento na disponibilização de recursos para custeio e investimento, e também a definição de uma política pública de preços mínimos cujos valores sejam equivalentes aos custos de produção.

Comercialização, infraestrutura e logística

Outras medidas propostas são: apoio à comercialização dos produtos nas quantidade e momentos adequados; a instituição do seguro rural para o trigo, medida que fará com que o produtor sinta-se mais confiante em investir no cultivo do cereal; a adoção de salvaguardas à produção nacional, já que a maioria dos países produtores de trigo subsidia sua produção e os excedentes destes países deprimem os preços do cereal no mercado internacional e representam uma concorrência desleal para a produção brasileira; o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), o qual se constitui num  importante instrumento de garantia de renda do produtor rural; que o governo tenha uma outra visão para a infraestrutura e logística; e, por fim, que para o trigo importado sejam exigidos os padrões similares aos do Brasil no uso de produtos químicos, no monitoramento de resíduos de agroquímicos e nos padrões de proteção ao meio ambiente, impedindo, inclusive, a entrada de trigo e derivados provenientes de países que utilizem defensivos agrícolas não permitidos no cultivo do cereal em território brasileiro, bem como não liberar a entrada de trigo que apresente limites máximos de tolerância de agrotóxicos acima dos permitidos no Brasil.

Produção mundo

A estimativa da produção mundial de trigo na safra 2017/18 é de 752 milhões de toneladas segundo o relatório do USDA de novembro de 2017, apresentando uma discreta variação em relação a safra anterior que foi de 753,9 milhões de toneladas. A demanda pelo cereal é estimada em 738,6 milhões de toneladas, sendo 2,6 milhões maior que na safra anterior que foi de 736 milhões de toneladas. A produção mundial será 13,4 milhões de toneladas maior que a demanda e os estoques finais mundiais em 2017/18, estão estimados em 267,5 milhões de toneladas.

Produção brasileira

De acordo com a Conab a produção nacional de trigo em 2017 deve ser de 4,6 milhões de toneladas, um decréscimo de 32% em relação à safra passada. O Paraná, com uma expectativa de produção de 2,3 milhões de toneladas lidera a produção nacional do cereal, sendo responsável por 49% da produção. Confirmando-se essas estimativas a produção brasileira representará 0,6% da safra mundial do cereal. O consumo brasileiro de trigo é estimado em 11,2 milhões de toneladas em 2018. A produção nacional, no mesmo período, será de 4,5 milhões de toneladas, segundo dados da Conab.

– Fonte: Informe Paraná Cooperativo / OCEPAR

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