Acusado de intermediar o pagamento de propinas no esquema de corrupção na Petrobras, o empresário Raul Schmidt foi preso neste sábado na cidade portuguesa de Sabugal, a cerca de 320 quilômetros de Lisboa. Segundo a Polícia Federal (PF), ele foi localizado por meio de uma cooperação entre a Adidância da PF em Portugal, o Ministério Público Federal (MPF), a Interpol e autoridades portuguesas.Schmidt foi um dos alvos de mandados de prisão da Operação Polimento, 25ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada em março de 2016 por ordem do juiz federal Sergio Moro. Ele é brasileiro nato e foi naturalizado português em dezembro de 2011.

Antes de sua prisão, o empresário estava foragido desde julho de 2015. Ele morou em Londres, onde mantinha uma galeria de arte, mas, após o início da Lava Jato, se mudou para Portugal em virtude da dupla nacionalidade. A Justiça portuguesa autorizou que ele fosse colocado em liberdade em função da cidadania no país europeu.

Na última segunda-feira, no entanto, Portugal autorizou a extradição de Raul Schmidt. A Secretaria de Cooperação Internacional da Procuradoria-Geral da República (PGR) atuou em conjunto com a Advocacia-Geral da União (AGU) para garantir o envio dele ao Brasil, autorizado com a condição de que o julgamento só ocorra por atos praticados antes da obtenção da nacionalidade portuguesa.

“As autoridades brasileiras agora aguardam as próximas providências e a possível extradição para o Brasil com destino a Curitiba, local onde responde a ação penal perante à 13ª Vara Federal”, afirma a PF, por meio de nota.

Raul Schmidt é réu em uma ação penal da Lava Jato, acusado de intermediar pagamentos de propinas aos ex-diretores da Petrobras Renato de Souza Duque, Nestor Cerveró e Jorge Luiz Zelada, todos envolvidos no esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa instalado na estatal.

Além de atuar como operador financeiro no pagamento de vantagens indevidas aos agentes públicos da Petrobras, ele também aparece como preposto de empresas internacionais na obtenção de contratos de exploração de plataformas da petrolífera.

– VEJA.com