O procurador teria tido encontros com representantes da JBS sem comunicar aos colegas. Conforme as colaborações, numa ocasião, teria ligado para um dos investigadores da força-tarefa, na presença de integrantes do grupo empresarial, e colocado a conversa em viva-voz. Ele também teria tirado uma cópia de diálogo de procuradores sobre o caso, em grupo privado do Instagram, e repassado à empresa.

“Eu tinha atribuição desde o princípio para atuar no caso Eldorado (empresa do grupo), tinha autonomia. O fato de ter que conversar com o coordenador da força-tarefa não exime a minha atribuição para atuar”, afirmou Villela, que citou declarações de Janot de que ele teria atuado por conta própria. “Houve por parte do ex-procurador-geral (Rodrigo Janot) uma tentativa de falsear a verdade”, disse Villela.

AAtErks“Se eu era um procurador infiltrado, ou seja, trabalhando para eles, como eu poderia estar embaraçando uma colaboração que seria benéfica a eles? Eu preciso fazer uma ginástica interpretativa para entender isso”, disse.

O procurador foi preso no dia 18 de maio, durante a Operação Patmos, suspeito de vazar informações sobre a Operação Greenfield, da qual o grupo J&F é alvo. Em troca, segundo os delatores, ele recebia uma mesada de R$ 50 mil. O procurador foi solto em agosto por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo ele, que nega ter recebido propina, as acusações contra ele são conflitantes ao tratar os R$ 50 mil como uma espécie de “mensalinho” e, depois, como uma “promessa de pagamento”.

“Essa trama vem sendo elucidada até pelo excesso de esperteza, para não dizer outra coisa, por essas pessoas que se autogrampearam”, disse Villela em referência aos delatores da JBS.

– Fonte: Estadão